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Tenente-Coronel Lourenço da Silva

A Unidade Nacional de Trânsito procurará sempre encontrar as melhores práticas patrulhamento e fiscalização

Entrevistas
O Senhor Tenente-Coronel Lourenço da Silva foi designado Comandante da Unidade Nacional de Trânsito da GNR. Nesta função será um dos principais responsáveis nacionais pela segurança rodoviária
Autor Simone Graciano 
Data 23-06-2017 
Tenente-Coronel Lourenço da Silva em entrevista

Quais serão as suas prioridades como Comandante da UNT da GNR?

Antes de responder diretamente à questão, permita-me referir que o patrulhamento e fiscalização dos 98.500km de rede viária (98% do total nacional) à responsabilidade da Guarda são realizados por 23 Destacamentos de Trânsito e 17 Postos de Trânsito num dispositivo distribuído pelos 18 distritos do continente, cabendo à UNT competências no âmbito da fiscalização, do ordenamento e da disciplina do trânsito em qualquer ponto do território nacional, sendo, ainda, responsável pela uniformização de procedimentos e pela formação contínua dos seus militares. Sobre a sua questão as prioridades do Comandante da UNT são, naturalmente, as prioridades definidas pelo Comando da Guarda e por consequência, também, as que nos define a condução das ações preconizadas, especialmente, no PENSE 2020. Neste particular, devo referir que todas as ações que os homens e as mulheres, que diariamente desenvolvem a sua atividade na UNT, visa contribuir para a redução da sinistralidade rodoviária e das suas funestas consequências. A UNT, pelas suas caraterísticas, apresenta-se como uma Unidade modelar, com capacidade de adotar, executar e replicar as melhores práticas no âmbito da fiscalização do cumprimento das regras de circulação e do transporte.

 

O número absoluto de veículos sujeitos ao regime de Inspeção Periódica Obrigatória em incumprimento tem vindo a diminuir de ano para ano.

 

Reduzimos muito a sinistralidade, mas agora não conseguimos continuar a baixar o número de mortos e feridos de acordo com o desejado. Que contributo vai dar a UNT para este desiderato nos próximos anos?

Tal como anteriormente referi, a UNT procurará sempre, no contexto das Unidades da Guarda e da especialidade do Trânsito encontrar as melhores práticas de execução da atividade de patrulhamento e de fiscalização, procurando permanentemente a excelência na prestação de um serviço ao País e aos seus cidadãos que é o de contribuir, incansavelmente, para salvar vidas humanas. Simultaneamente, pretendemos colaborar ativamente com os outros responsáveis pelo sistema rodoviário a fim de trabalhar em conjunto para alcançar os objetivos preconizados no PENSE. E, na medida das nossas capacidades e através da utilização criteriosa das redes sociais, procurar alcançar todos os atores das redes viárias, sensibilizando e motivando-os para a adoção de permanentes medidas de segurança.

 

Todos os contributos para a diminuição do risco de acidentes de viação e suas consequências são e serão sempre bem-vindas.

 

A obrigatoriedade da submissão de um motociclo a uma IPO salvaguarda a garantia de que o veículo se encontra nas melhores condições para a circulação em segurança.

  

Como tem evoluído a deteção de veículos sem inspeção periódica? O número de viaturas nestas condições é um problema de segurança?

O regime legal das inspeções técnicas de veículos viu a luz do dia através do Decreto-Lei n.º 554/99, de 16 de dezembro, sucessivamente alterado e melhorado, num processo evolutivo natural e que acompanhou igualmente as inovações tecnológicas entretanto adquiridas. Longe vai esse período inicial, como longe vão os sistemáticos incumprimentos que nessa época se detetavam. Temos constatado que o número absoluto de veículos sujeitos ao regime de Inspeção Periódica Obrigatória em incumprimento, tem vindo a diminuir de ano para ano. Os portugueses já de habituaram a cumprir com essa obrigação, para sua própria segurança.

Para suportar melhor esta avaliação, é para nós claro que, entre as principais causas primárias dos acidentes, não estão as que se relacionam com as condições de segurança dos veículos.

 

O PENSE2020 está aprovado. Entende que este plano vai enfrentar a evolução tecnológica que se regista no setor automóvel?

Uma das preocupações refletidas no PENSE 2020 é precisamente a que resulta do Objetivo Estratégico 4 – Veículos mais seguros. Uma das ações a concretizar, vai no sentido de apoiar a adoção de medidas que permitam a discriminação positiva na aquisição de veículos novos. Por outro lado, a análise de risco de acidente face ao tipo de veículo utilizado teve em conta apenas o tipo (categoria) e não a sua idade ou evolução tecnológica. A resposta à sua pergunta é sim no sentido em que o PENSE 2020, tal como está, não conflitua com os aspetos relativos à evolução tecnológica dos veículos.

 

De que forma a GNR está a preparar-se para a introdução de carros autónomos em Portugal?

O tema dos veículos autónomos está, na minha opinião, ainda demasiado verde para que a Guarda se deva preocupar seriamente com o assunto. Na verdade, pese embora o avanço tecnológico alcançado, as consequências previsíveis da adoção de veículos autónomos e as suas consequências, representam um tão grande número de desafios e problemas que a Guarda Nacional Republicana é, seguramente, uma das entidades que deverá estar atenta, sim, mas sem carater de urgência.

 

A inspeção a motociclos continua sem regulamentação da Assembleia da República. Acredita que o panorama da segurança rodoviária pode mudar com a obrigatoriedade da inspeção?

Todos os contributos para a diminuição do risco na produção de acidentes de viação e suas consequências são e serão sempre bem-vindas. A obrigatoriedade da submissão de um motociclo a uma IPO, salvaguarda desde logo a garantia de que o veículo se encontra nas melhores condições para a circulação em segurança, independentemente da periodicidade que vier a ser adotada. Este facto elimina uma percentagem do risco associado à má conservação e manutenção dos motociclos que pode constituir a diferença entre sofrer um imprevisto que redunda em sinistro rodoviário ou não.

 

Entrevista publicada na revista institucional da ANCIA, edição Primavera de 2017