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Reportagem da Rádio Renascença

RR: Média de 5 mortes por mês em acidentes com tratores

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Nos últimos cinco anos, morreram em média cinco agricultores por mês em acidentes com tratores. Um arco podia salvar vidas, mas muitas vezes não existe. Uma tragédia refletida na reportagem da RR.
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Data 06-02-2018 
Foto da Rádio Renascença

Nos últimos cinco anos, morreram em média cinco agricultores por mês em acidentes com tratores. Um arco podia salvar vidas, mas muitas vezes não existe. O problema está identificado há décadas, mas as soluções políticas não avançam. Uma tragédia sem fim à vista. 


A Rádio Renascença faz um retrato de acidentes de agricultores com tratores, explora as causas, ouve testemunhas e especialistas do setor.


Segundo a reportagem, 358 portugueses morreram em acidentes de tratores desde 2013. Uma média de cinco mortos por mês, mais do que um por semana nos últimos cinco anos. Em 2017, morreram 61 pessoas em acidentes deste tipo, em Portugal Continental.


Não utilização do arco de Santo António pode ser fatal


Uma parte significativa das vítimas tinha mais de 65 anos, conduzia um trator com mais de duas décadas e não estava a usar o arco de Santo António — uma estrutura de metal que é colocada a ladear o habitáculo do condutor e que impede, em caso de capotamento, que a viatura caia sobre a vítima.


A estes números, somam-se 330 feridos graves no mesmo período.


A maior parte destes acidentes ocorrem em terrenos pequenos, com grandes declives, tipicamente no norte e centro do país, com destaque para os distritos de Bragança (42 mortos em cinco anos), Viseu (40 mortos) e Braga (38 mortos).


Tipicamente ocorrem em terrenos privados (cerca de dois terços), que as autoridades não podem fiscalizar. Apenas um em cada três, em média, acontece nas estradas.


A utilização do arco de Santo António, dizem os especialistas ouvidos pela Rádio Renascença, pode ser a diferença entre viver e morrer. 


Para percorrer muitos ou poucos quilómetros, muitos agricultores teimam em não utilizar este sistema de segurança: porque a viatura tem mais de 20 anos e não a traz acoplada ou porque, pura e simplesmente, o rebatem.


A reportagem aponta ainda várias razões que concorrem para que o ciclo não se inverta: a falta de formação dos agricultores, o envelhecimento desta população e o excesso de confiança de homens que toda a vida andaram em cima das pesadas máquinas e que julgam que nada lhes acontece e que sabem tudo.


A Renascença pediu durante mais de dois meses uma entrevista ao secretário de Estado da Agricultura e Florestas, mas a solicitação foi sendo sucessivamente adiada. O pedido de conclusões do grupo de trabalho também esbarrou num muro de silêncio.


É difícil montar sistema de centros de inspeção eficaz e acessível para todos


Uma das medidas que o Governo queria estudar era a viabilidade de criar inspeções obrigatórias. Até agora, os tratores, apesar de andarem na estrada como outras viaturas, não têm de o fazer. As pessoas ligadas a este sector falam da dificuldade de montar um sistema de centros de inspeção eficaz e acessível para todos.


Estas são algumas das conclusões desta reportagem multimédia da Rádio Renascença que pode ver na íntegra aqui: Morte no campo


Foto com direitos reservados, Rádio Renascença